O que é a trombose?
A trombose venosa pode ser compreendida como a formação de um coágulo sanguíneo dentro de uma veia, impedindo parcial ou totalmente a passagem normal do sangue.
É como se fosse uma rolha de vinho dentro de uma garrafa.
Imagine que as veias do corpo funcionam como tubos responsáveis por transportar o sangue de volta ao coração. Esse fluxo precisa ocorrer de maneira contínua e livre, assim como o vinho que sai de uma garrafa quando não há obstrução.
Na trombose venosa, forma-se um coágulo dentro da veia — composto por fibrina, plaquetas e células sanguíneas — que atua como uma rolha. Essa “rolha” não é externa, mas se forma no interior do vaso. Ao se fixar na parede da veia, ela reduz ou bloqueia o fluxo sanguíneo, semelhante a uma rolha de vinho que impede a saída do líquido da garrafa.

Quando ocorre a trombose o que a pessoa sente?
Os sintomas variam conforme o local do coágulo, mas os mais comuns incluem:
Na perna (TVP):
- Inchaço súbito (geralmente unilateral)
- Dor ou peso
- Aumento da temperatura local
- Vermelhidão ou coloração arroxeada
- Dilatação de veias superficiais

No pulmão (TEP):
- Falta de ar
- Dor no peito
- Aceleração dos batimentos
- Tosse, podendo haver sangue
- Desmaio em casos graves

Outros locais:
Quando o coágulo se forma na cabeça (território de veia), podem ocorrer dor de cabeça persistente/intensa, náuseas, visão turva, convulsão, fraqueza, dificuldade de falar, sonolência ou confusão.
A trombose é um quadro que exige avaliação médica imediata, pois pode ter consequências graves.
Em casos suspeitos o pronto atendimento deve ser procurado com urgência para que o médico possa avaliar e indicar os exames para confirmar ou excluir o quadro.
Após o médico identificar a trombose o que deve ser feito? Preciso sempre de um hematologista?
A trombose tem várias causas.
Em geral podem ter sido provocadas por algo do ambiente (medicações, gestação, puerpério, imobilização prolongada, cirurgias) ou podem ser problemas sistêmicos (que são aquelas alterações no sangue de dentro para fora que predispõe a pessoa a formar trombos), que são as trombofilias.
Nem todos os pacientes com trombose precisam fazer exames para “trombofilias”, que são condições que aumentam a tendência do sangue a formar coágulos.
Esses exames só são indicados em situações específicas, como:
- quando a trombose aparece em pessoas jovens (geralmente abaixo de 50 anos),
- quando ocorrem episódios repetidos de trombose,
- quando o coágulo surge em locais incomuns (como veias do cérebro ou do abdome),
- quando há vários casos na família,
- ou quando a trombose acontece sem nenhuma causa aparente.
Quando a trombose é claramente provocada por fatores temporários, como uma cirurgia recente, trauma, ou longos períodos de imobilização, a investigação para trombofilias normalmente não é necessária, porque não muda o tratamento.
O hematologista é o médico que investiga essa tendência de formar trombos e identifica as trombofilias e a melhor forma de tratá-la. Além disso, a depender do tipo de trombofilia ele pode indicar o rastreio de familiares que também podem ter a doença e não estarem cientes do risco de trombose.
O que são então trombofilias?
As trombofilias podem ser de nascença (hereditárias) ou adquiridas ao longo da vida.
Entre as hereditárias estão alterações como deficiência de antitrombina, proteína C, proteína S e mutações específicas (como o fator V Leiden e a mudança no gene da protrombina).
Entre as adquiridas, a mais importante é a síndrome antifosfolípide, que envolve anticorpos que aumentam o risco de trombose.
Os exames de trombofilia devem ser feitos no momento certo para que não deem resultados confusos. O ideal é realizá-los após terminar o tratamento anticoagulante, porque os remédios podem alterar os exames e gerar resultados incorretos. Em alguns casos, também podem ser necessários testes genéticos.
O resultado dessa investigação pode ajudar o médico a decidir:
- por quanto tempo o anticoagulante deve ser usado,
- se é necessário fazer prevenção em situações de risco futuro (como cirurgias e viagens longas),
- e orientar familiares, especialmente mulheres que pretendem engravidar ou usar anticoncepcionais hormonais, pois algumas alterações aumentam o risco de trombose nessas situações.
Como eu posso ajudar se você teve trombose?

A dra Lessandra Bazi tem competência técnica e experiência para fazer o rastreio e investigação das trombofilias quando é indicado. Nem sempre o paciente precisa de fazer os exames de investigação, depende do tipo da trombose que ele teve e de vários fatores que são avaliados detalhadamente durante a consulta com a dra.
Quando identificado um risco de trombofilia ou genética ou adquirida, os exames são solicitados e passam por rigorosa avaliação e definição do tipo da doença que gerou aquele trombo ou da exclusão dela.
Além disso a dra. passa um plano de acompanhamento a depender do diagnóstico e como deve ser conduzido ao longo do tempo para evitar que um novo trombo ocorra e gere sequelas.
O risco de trombose é calculado com base no tipo de doença identificada e a maneira de tratar depende disso. O tempo de tratamento e o tipo são definidos em consulta com a explicação ao paciente do porque daquela escolha e quais os cuidados o paciente deve ter em usar aquela estratégica.
Outro ponto importante é falar sobre maneiras de prevenção que não dependem só de medicação. A dra. organiza uma orientação completa ao paciente para deixá-lo protegido contra novos eventos, bem como faz a orientação para os demais parentes de primeiro grau do paciente quando se trata de uma trombofilia genética
Em alguns casos de trombose causada por trombofilias, o Paciente precisa de um hematologista para chamar de seu, pois irá acompanhar ao longo do tempo e sempre avaliar o risco de recorrência da trombose e efeito do tratamento ao longo do tempo.
Há casos que um plano de acompanhamento é traçado no intuito do melhor cuidado do paciente e essa informação ao paciente faz toda diferença no seguimento de seu tratamento.
Quem tem maior risco de trombose?
Vários fatores aumentam o risco. Alguns são transitórios; outros, permanentes.
Fatores transitórios (provocadores)
(geralmente com risco menor de recorrência após melhora)
- Cirurgias, especialmente ortopédicas e plásticas
- Gravidez e puerpério
- Imobilização prolongada
- Uso de anticoncepcionais e terapia hormonal
- Viagens prolongadas
- Traumas
Eventos provocados por fatores definidos apresentam risco de recorrência aproximadamente 5% no primeiro ano e 2,5% ao ano depois disso, o que indica risco baixo a intermediário .
Fatores permanentes (não provocados ou persistentes)
- Câncer ativo
- Doenças inflamatórias crônicas
- Obesidade
- Trombofilias hereditárias
- Síndrome antifosfolípide
Casos não provocados têm risco maior de recorrência: 10% no primeiro ano e 5% ao ano após, conforme também descrito nos arquivos .
Quais exames são realizados para identificar a trombose?
O médico avalia o quadro clínico, identifica fatores de risco e pode pedir um exame de sangue chamado D-dímero, que ajuda a descartar o diagnóstico em alguns casos. A confirmação da trombose sempre é feita por exames de imagem, como o ultrassom Doppler.
Quando ocorre no pulmão, o exame é uma angiotomografia de tórax. mas caso ocorre na cabeça outros exames podem ser solicitados, como a Angiotomografia venosa (mais rápida e comum) e a Angiorressonância venosa.

Trombofilias: predisposição genética à trombose
Algumas pessoas nascem com alterações que aumentam a tendência a formar coágulos. Os arquivos de Trombofilias Hereditárias apontam os principais defeitos e seu impacto no risco de trombose :
| Trombofilia | Aumento aproximado do risco |
| Deficiência de antitrombina | 8× mais risco |
| Deficiência de proteína C | 7,3× mais risco |
| Deficiência de proteína S | 8,5× mais risco |
| Mutação do Fator V Leiden | 2,2× mais risco |
| Mutação da Protrombina (G20210A) | 3–4× mais risco |
Essas condições podem justificar trombose em idade jovem, em locais incomuns ou de repetição.
Porém, é importante destacar que a maioria das pessoas com trombofilia nunca terá trombose, e o principal determinante de recorrência costuma ser o tipo de evento que desencadeou o primeiro episódio, conforme mostrado no arquivo Trombose venosa profunda e superficial .
Qual a duração do tratamento da trombose?
O tempo de anticoagulação depende da causa:
- Trombose provocada por fator transitório:
normalmente 3 a 6 meses de anticoagulação . - Trombose não provocada:
pode ser necessário tratamento prolongado ou indefinido, conforme risco de sangramento. - Trombofilias de alto risco (ex.: deficiência de antitrombina, SAAF):
frequentemente sugerimos anticoagulação indefinida, exceto quando há fator provocador claro e isolado.
Existe prevenção de trombose?
Sim, e ela é fundamental.
Medidas gerais
- Evitar longos períodos sentado ou deitado
- Hidratar-se bem
- Manter peso saudável
- Parar de fumar
- Usar meias de compressão em situações de risco
- Levantar e caminhar a cada 1–2 horas em viagens longas
Prevenção medicamentosa
Em cirurgias de maior porte, gestação de risco ou presença de trombofilias, pode ser necessário usar heparina profilática temporariamente. Um exemplo é o uso de enoxaparina 40 mg/dia em cirurgias abdominais estéticas para pessoas com risco aumentado, como descrito em Heterozigose de protrombina e pré-operatório


Quando devo procurar um hematologista para a trombose?
- Episódio de trombose sem causa aparente
- Trombose recorrente
- Trombose em locais incomuns (cérebro, fígado, veias abdominais)
- História familiar de trombose grave
- Planejamento de gestação em pessoas com trombofilia
- Avaliação pré-operatória em pacientes de alto risco
- Dúvidas sobre o tempo seguro de anticoagulação
O hematologista é o profissional capacitado para avaliar causas, riscos futuros e necessidade de tratamentos prolongados.
Outras situações podem simular a trombose?
Existem outras condições que podem causar sintomas parecidos. Entender essas diferenças ajuda a diminuir a ansiedade e a saber quando realmente há risco.
1. Celulite (infecção da pele e do subcutâneo)
É uma infecção da pele causada por bactérias. Tem Semelhança com trombose porque causa vermelhidão, calor local e dor.
Como diferenciar:
- A vermelhidão é mais intensa e mais quente ao toque.
- A dor é mais superficial.
- Pode haver febre.
- O ultrassom mostra as veias normais.
2. Ruptura de cisto de Baker
É um “bolsão” de líquido atrás do joelho que pode romper. A Semelhança com trombose é porque o inchaço é súbito e ocorre dor na panturrilha, parecendo muito com trombose.
Como diferenciar:
- Dor geralmente começa atrás do joelho.
- Pode aparecer um hematoma (mancha roxa) na panturrilha.
- O ultrassom mostra o líquido extravasado e veias livres.
3. Distensão muscular ou lesão do tendão
É uma lesão por esforço ou movimento brusco. Semelhança com trombose porque causa dor localizada na perna e sensação de peso.
Como diferenciar:
- Dor aumenta ao movimentar ou alongar o músculo.
- Não costuma haver calor importante nem mudança de cor.
- O ultrassom venoso é normal.
4. Linfangite ou linfedema
É um problema no sistema linfático, causando inchaço e semelhança com a trombose é porque a perna pode ficar muito inchada.
Como diferenciar:
- Inchaço geralmente crônico e não doloroso.
- Pele espessada (“casca de laranja”) no linfedema.
- Sem áreas quentes ou vermelhas.
- Ultrassom sem trombos.
5. Insuficiência venosa (varizes/veias incompetentes)
É a dificuldade do sangue de retornar pelas veias.. Semelhante a trombose devido a sensação de peso, inchaço no fim do dia.
Como diferenciar:
- Geralmente bilateral (nas duas pernas).
- Sintomas pioram ao ficar muito tempo em pé.
- Mudanças de pele crônicas (escurecimento).
- Ultrassom mostra refluxo e não coágulo.
Temos mais sobre esse tema no seguinte artigo
6. Erisipela (infecção cutânea semelhante à celulite)
É uma infecção superficial da pele e parece trombose porque causa dor, calor, vermelhidão.
Como diferenciar:
- Bordas bem definidas e vermelhidão brilhante.
- Febre alta é muito comum.
- Resposta rápida a antibiótico.
- Veias normais ao ultrassom.
7. Tromboflebite superficial
O que é: inflamação e coágulo em veias superficiais.
Semelhança com trombose profunda: dor e endurecimento no trajeto da veia.
Como diferenciar:
- A veia inflamada fica palpável como um “cordão” duro.
- A dor é mais superficial.
- Risco menor, mas deve ser avaliada porque pode se aproximar das veias profundas.
Temos mais sobre esse tema no seguinte artigo
8. Edema por causas cardíacas, renais ou medicamentos
É um inchaço por retenção de líquido. Semelhança com trombose devido pernas podem ficar bem inchadas.
Como diferenciar:
- Geralmente inchaço nas duas pernas.
- Sem dor localizada.
- Sem áreas quentes, vermelhas ou pontos específicos de dor.
A trombose tem cura?
Sim. O objetivo do tratamento é:
- Impedir que o trombo aumente
- Evitar novas tromboses
- Reduzir complicações a longo prazo, como o inchaço crônico da perna (síndrome pós-trombótica)
O tratamento é feito com anticoagulantes, que “afinam” o sangue e reduzem a coagulação — mas não dissolvem o coágulo por si só; quem dissolve é o próprio organismo ao longo das semanas.