Dra. Lessandra Bazi – Hematologista em Anápolis – GO

O mieloma múltiplo é um tipo de câncer do sangue.
Ele se origina em células chamadas plasmócitos, que são células do sistema imunológico responsáveis pela produção de anticorpos (são como armas de defesa do nosso corpo) 

Essas células ficam localizadas principalmente na medula óssea, o tecido esponjoso dentro dos ossos.
No mieloma múltiplo, ocorre uma proliferação descontrolada dessas células anormais que ocupam o espaço da medula óssea.

Essas células produzem uma grande quantidade de um anticorpo defeituoso, chamado de proteína monoclonal ou componente M.
Esse excesso de proteína causa vários problemas no organismo.

O mieloma múltiplo não é uma doença única e igual para todos.
Ele pode se apresentar de forma lenta ou agressiva.
Cada paciente tem uma evolução diferente.

O câncer é no sangue ou no osso?

Essa é uma das dúvidas mais comuns.

A resposta correta é: o mieloma múltiplo é um câncer da medula óssea, mas que afeta o sangue e os ossos ao mesmo tempo.

  • A doença começa na medula óssea, onde são produzidas as células do sangue
  • O excesso de proteína monoclonal produzida pelas células alteradas circula no sangue

Isso pode causar:

  • Anemia
  • Infecções frequentes
  • Alterações nos rins
  • Espessamento do sangue em casos raros
  • Aumento do cálcio
  • Alteração dos ossos

Por que os ossos sofrem?

As células do mieloma produzem substâncias que:

  • Ativam células que “destroem” o osso
  • Inibem células que “constroem” o osso

Com isso, surgem:

  • Dor óssea persistente
  • Lesões ósseas
  • Fraturas espontâneas
  • Osteoporose precoce

Por isso, apesar de ser um câncer da medula óssea, o mieloma múltiplo está intimamente ligado às alterações ósseas

Por isso o médico que trata o mieloma múltiplo é o Hematologista.


Sobre mim:

A Dra. Lessandra Bazi é uma hematologista que atende em Goiás e tem vasta experiência nesta doença, se dedicando no diagnóstico e tratamento de forma humanizada e informativa.

Grande parte dessa experiência vem do seu trabalho no serviço de referência de oncohematologia do estado de Goiás pelo SUS (Hospital de câncer Araújo Jorge), que acaba concentrando um grande número de pacientes de outras cidades do estado.

Além disso, a Dra. Lessandra, fez residência no Hospital de Base do DF, com grande volume de casos onco hematológicos e referência de atendimentos prestados na área dos cânceres do sangue.

O direcionamento quando ocorre esse diagnóstico é essencial, pois são muitos exames necessários e muitos passos para conseguir iniciar o tratamento da melhor forma possível. É uma doença complexa com várias manifestações e com necessidade de um olhar completo para tratar cada detalhe que pode estar envolvido e prejudica a qualidade de vida do paciente.

Devido a cronicidade da doença, é necessário um acompanhamento bem próximo com o hematologista, pois existem questões importantes no manejo na doença ao longo do tempo e o lado humano e avaliação integral do paciente faz toda diferença nesse tipo de tratamento.

Segue algumas avaliações de pacientes  atendidos pela dra:

Quais são os principais sintomas do mieloma múltiplo?

Os sintomas podem variar muito.

Alguns pacientes têm poucos sintomas no início.
Outros já se apresentam com sinais mais evidentes.

Os sintomas mais comuns incluem:

Sintomas gerais

  • Cansaço excessivo
  • Fraqueza
  • Perda de peso não intencional
  • Falta de apetite

Sintomas relacionados ao sangue

  • Anemia
  • Palidez
  • Falta de ar aos esforços
  • Infecções frequentes

Sintomas ósseos

  • Dor nas costas
  • Dor nos quadris
  • Dor nas costelas
  • Fraturas sem trauma importante

Sintomas renais

  • Inchaço
  • Diminuição da urina
  • Alterações nos exames de creatinina

Nem todos os pacientes apresentam todos esses sintomas.

Como é feito o diagnóstico do mieloma múltiplo?

O diagnóstico é feito com a combinação de exames clínicos, laboratoriais e de imagem.

Exames de sangue

  • Hemograma
  • Cálcio
  • Função renal
  • Eletroforese de proteínas
  • Imunofixação
  • Dosagem de cadeias leves livres
  • Dosagem de imunoglobulinas
  • Beta2microglobulina

Esses exames ajudam a identificar a proteína monoclonal.

Exames de urina

  • Pesquisa de proteína monoclonal na urina
  • Imunofixação na urina
  • Urina de 24 horas

Exames de imagem

  • Radiografias
  • Tomografia computadorizada
  • Cintilografia óssea
  • Ressonância magnética
  • PET-CT

Esses exames avaliam as lesões ósseas.


Exame de medula óssea

É um exame fundamental.
Ele confirma a presença das células plasmáticas anormais.

Temos dois tipos de exames de medula óssea:

  • Mielograma: punção da parte líquida da medula. Nesse líquido são feitos os exames de avaliação morfológica do mielograma e imunofenotipagem, além de cariótipo.
  • Biópsia de medula óssea: parecido com o mielograma, mas é extraído um fragmento ósseo do quadril e são realizados avaliação anatomopatológica e imunohistoquímica.

O médico que realiza esse exame é o hematologista.

Saiba mais sobre esse exame neste artigo:

Existem fases antes do mieloma múltiplo?

Sim.

Nem toda alteração das células plasmáticas é mieloma ativo.

Existem fases chamadas de condições precursoras:

Gamopatia monoclonal de significado indeterminado (MGUS)

  • Não é câncer
  • Geralmente não causa sintomas
  • Precisa apenas de acompanhamento

Mieloma múltiplo assintomático (smoldering)

  • Já existe maior quantidade de células plasmáticas
  • Ainda não há dano aos órgãos
  • Pode evoluir para mieloma ativo

Essas fases exigem acompanhamento regular com hematologista.

Tem cura?

Essa é uma pergunta muito importante.

Atualmente, o mieloma múltiplo ainda não tem cura definitiva, na maioria dos casos.
Mas isso não significa que não haja tratamento eficaz.

Hoje, o mieloma é considerado uma doença crônica controlável.

Graças aos avanços da medicina, muitos pacientes:

  • Vivem muitos anos
  • Têm boa qualidade de vida
  • Mantêm a doença controlada por longos períodos

Em alguns casos específicos, pode-se alcançar remissões muito profundas e prolongadas.

Quais os tratamentos realizados?

O tratamento do mieloma múltiplo é individualizado.
Ele depende de vários fatores:

  • Idade
  • Condições clínicas
  • Estágio da doença
  • Alterações genéticas
  • Resposta ao tratamento

Tratamento inicial

Geralmente, utiliza-se uma combinação de medicamentos.

Os principais grupos são:

Imunomoduladores

  • Lenalidomida
  • Talidomida

Atuam estimulando o sistema imunológico e combatendo as células do mieloma.


Inibidores do proteassoma

  • Bortezomibe
  • Carfilzomibe
  • Ixazomibe

Esses medicamentos bloqueiam mecanismos essenciais para a sobrevivência das células tumorais.


Corticoides

  • Dexametasona
  • Prednisona

Ajudam a potencializar o efeito dos outros medicamentos.


Anticorpos monoclonais

São terapias modernas e muito eficazes.

Atuam reconhecendo proteínas específicas das células do mieloma.

Exemplos:

  • Daratumumabe
  • Isatuximabe

Esses medicamentos revolucionaram o tratamento do mieloma.


Transplante autólogo de medula óssea

É indicado para muitos pacientes mais jovens ou com bom estado clínico.

Como funciona?

  • Usa-se a própria medula óssea do paciente
  • Realiza-se quimioterapia em altas doses
  • Depois, as células são reinfundidas

O transplante não é uma cura, mas aumenta o tempo de controle da doença.


Tratamento de manutenção

Após a resposta inicial, muitos pacientes fazem tratamento de manutenção.

Objetivos:

  • Prolongar a remissão
  • Reduzir o risco de recaída
  • Geralmente é feito com medicamentos orais.

Tratamento das complicações

Além do tratamento do câncer em si, é fundamental cuidar das complicações.

Saúde óssea

  • Uso de medicamentos como bifosfonatos
  • Suplementação de cálcio e vitamina D
  • Prevenção de fraturas

Prevenção de infecções

  • Vacinação
  • Uso preventivo de antibióticos em alguns casos

Cuidados renais

  • Hidratação adequada
  • Ajuste de medicamentos

O mieloma múltiplo tem recaídas?

Sim.

O mieloma múltiplo costuma ter um comportamento de:

  • Resposta ao tratamento
  • Período de controle
  • Possível recaída

Na recaída, existem várias linhas de tratamento disponíveis, incluindo terapias mais modernas.

Qual a importância do acompanhamento com hematologista?

O acompanhamento regular é essencial.

O hematologista:

  • Ajusta o tratamento
  • Monitora efeitos colaterais
  • Avalia resposta da doença
  • Atua na prevenção de complicações

O tratamento do mieloma múltiplo é dinâmico e personalizado.

O mieloma múltiplo é uma doença complexa.
Mas os avanços científicos mudaram completamente o cenário.

Hoje, há:

  • Diagnóstico mais precoce
  • Tratamentos mais eficazes
  • Melhor qualidade de vida

Com acompanhamento especializado, informação de qualidade e adesão ao tratamento, é possível viver bem com mieloma múltiplo.

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