O que é anemia? Vamos comparar com algo simples.
Imagine que as células vermelhas do sangue, chamadas de hemácias são como caminhões que precisam levar nutrientes e energia para várias cidades e localidades. São o transporte essencial da vida, sem eles não chega oxigênio nos diversos locais do corpo.
A hemoglobina que fica dentro do caminhão é como se fosse o motor dele, ou seja uma parte importante do funcionamento do caminhão.


Na anemia o que temos então?
- Ou Temos poucos caminhões circulando (poucos glóbulos vermelhos),
- ou até temos caminhão mas o motor está fraco (pouca hemoglobina),
- ou os caminhões são pequenos e não conseguem transportar muito oxigênio.
Ou seja, temos um caminhão que não funciona para o que precisa, ou seja uma hemácia que não transporta oxigênio para o corpo como deveria.
O resultado?
Cansaço, fraqueza, falta de ar, palpitações, queda de cabelo, palidez e pouca disposição.


O que causa a anemia?
Existem vários tipos de anemia, e cada uma tem uma “história” diferente.
A) Anemia por falta de ferro (ferropriva)
É como tentar abastecer o caminhão sem combustível suficiente.
O ferro é o “combustível” que permite ao corpo produzir hemoglobina.
Por que acontece?
- Sangramento menstrual intenso
- Sangramento gastrointestinal
- Falta de ferro na alimentação
- Gestação
- Uso insuficiente ou má absorção de ferro
Tratamento:
Repor ferro (oral ou venoso) e tratar a causa do sangramento.
B) Anemia por falta de vitaminas (B12 e ácido fólico)
É como ter caminhões muito grandes, mas com problemas na “montagem”.
O corpo não consegue produzir as células corretamente.
Por que acontece?
- Gastrite atrófica
- Doença celíaca
- Cirurgias bariátricas
- Dietas muito restritivas
- Uso de certos medicamentos
Tratamento:
Reposição de vitamina B12 ou ácido fólico e correção da causa.
C) Anemia por doenças crônicas ou inflamatórias
É como se o corpo tivesse caminhões suficientes, mas eles ficam “parados na garagem”, sem circular.
Inflamação prolongada prende o ferro dentro das células e impede o sangue de funcionar bem.
Doenças relacionadas:
- Artrite reumatoide
- Doenças renais
- Infecções persistentes
- Câncer
- Doenças autoimunes
Tratamento:
Controlar a doença que causa a inflamação. Nem sempre o ferro ajuda.
D) Anemias hereditárias (como talassemia e anemia falciforme)
Aqui o problema está “na fábrica”.
Os glóbulos vermelhos são produzidos com formato ou estrutura diferentes.
Por que acontece?
São condições genéticas transmitidas dos pais para os filhos.
Tratamento:
Depende do tipo, podendo incluir suplementação, transfusões, medicamentos específicos e acompanhamento especializado contínuo.
E) Anemia por perda aguda de sangue
É como se vários caminhões fossem retirados da rua de uma vez.
O corpo perde grandes quantidades de sangue rapidamente.
Causas:
- Acidentes
- Cirurgias
- Sangramento intenso gastrointestinal ou ginecológico
Tratamento:
Reposição de sangue quando necessário e controle da fonte do sangramento.
F) Anemias por doenças da medula óssea
A medula óssea é a “fábrica do sangue”.
Se ela não funciona bem, a produção de glóbulos vermelhos cai.
Principais causas:
- Mielodisplasia
- Aplasia de medula
- Leucemias
- Uso de certos medicamentos ou quimioterapias
Tratamento:
Depende da causa, podendo incluir remédios estimuladores, imunossupressores, quimioterapia ou transplante de medula.
Toda anemia precisa de transfusão de sangue?
Não, nem toda anemia exige transfusão de sangue. A decisão de transfundir deve ser individualizada e baseada em diversos fatores clínicos e laboratoriais, como:
- Gravidade da anemia:
Em geral em valores (Hb) < 7 g/dL , mas podem usar critérios maiores se ele tiver doença no coração por exemplo.
- Sinais e sintomas clínicos:
Às vezes devido ao coração acelerado, pressão baixa, falta de ar , tontura com desmaios e outras alterações podem indicar transfusão de sangue.
- Causa da anemia:
Anemias agudas hemorrágicas frequentemente requerem transfusão.
Anemias crônicas, como ferropriva, megaloblástica ou por doenças crônicas, geralmente são tratadas com correção da causa e suporte com ferro, B12, folato ou eritropoetina.
- Velocidade de instalação:
Em casos agudos, o organismo tem menos tempo para se adaptar, o que pode requerer intervenção mais precoce.
Em casos crônicos, compensações fisiológicas permitem conviver com níveis mais baixos de Hb sem sintomas graves.
- Risco-benefício da transfusão:
Riscos incluem: reações transfusionais, sobrecarga volêmica, aloimunização e infecção.
Conduta alternativa à transfusão:
- Suplementação de ferro oral ou intravenosa.
- Administração de vitamina B12 ou ácido fólico.
- Uso de eritropoetina (EPO), especialmente em anemias da doença renal crônica ou quimioterapia.
- Tratamento da causa base (sangramento oculto, doenças autoimunes, inflamatórias, neoplasias).

Por que o hematologista é o médico ideal para diagnosticar e tratar a anemia?
Porque a anemia não é uma doença única — é um sinal de que algo está errado.
E cada tipo exige uma abordagem totalmente diferente.
O hematologista é treinado para:
✔ Interpretar corretamente o hemograma
Não apenas ver o valor da hemoglobina, mas analisar:
- tamanho das células,
- formato,
- produção da medula,
- índices específicos que indicam o tipo de anemia.
✔ Investigar a causa real
Muitas vezes a anemia é só a “ponta do iceberg”.
O hematologista identifica se ela vem de:
- falta de nutrientes,
- sangramentos ocultos,
- doenças crônicas,
- problemas genéticos,
- alterações da medula óssea.
✔ Escolher o tratamento correto
Um erro comum é “tomar ferro para toda anemia”, o que pode ser perigoso em vários tipos.
O hematologista sabe quando:
- ferro faz bem
- ferro pode piorar
- vitaminas são necessárias
- a causa é inflamatória e não adianta suplementar
- é caso de transfusão, injeções, medicamentos ou investigação mais profunda.
✔ Acompanhar a evolução de forma segura
A anemia pode mudar ao longo do tempo.
O acompanhamento especializado garante resposta ao tratamento e prevenção de complicações.
Sobre o hematologista:

A dra Lessandra Bazi tem competência técnica e experiência para atender todos os tipos de causas de anemia, sendo de sua responsabilidade após identificação da causa iniciar o tratamento adequado.
Muitas vezes é necessário outros especialidade para manejar a causa da anemia.
Por exemplo se o problema for um sangramento menstrual pode ser necessário encaminhar ao ginecologista. Se o sangramento for por uma úlcera no estômago pode ser necessário realizar endoscopia e encaminhar ao gastroenterologia.
Tudo isso é encaminhado pela dra. e orientado ao paciente como proceder.
Em geral precisamos de tempo para avaliar a melhora da anemia, e pode ser necessário acompanhar o paciente por um longo período de tempo, após o tratamento deve ser visto se o paciente não irá retornar o quadro de anemia e se a causa desta anemia foi de fato resolvida.
Em casos hereditários, podem ser necessários avaliar parentes de primeiro grau do paciente e orientação em relação a medidas futuras para cuidar dessa família.
Em caso de doença autoimune pode ser necessário acompanhamento por tempo mais prolongado ainda, por isso a hematologia tem papel essencial nesse contato com o paciente.
Quando procurar um hematologista?
Procure o especialista se você:
- tem anemia de repetição
- tem anemia que não melhora com tratamento
- não sabe a causa da anemia
- tem sintomas como cansaço extremo, falta de ar, palpitação ou palidez
- tem histórico familiar de doenças do sangue
- teve alteração na medula óssea ou exames inconclusivos
- está grávida e descobriu anemia
- tem doenças crônicas associadas
Quais os tipos de Tratamentos da Anemia
Depende da causa.
1. Anemia por deficiência de ferro (ferropenia)
- Reposição de ferro:
- Via oral
- Via endovenosa:
- Indicações: intolerância ao ferro oral, má absorção, doenças inflamatórias, sangramento ativo, anemia moderada a grave.
- Correção da causa: perdas menstruais, sangramento gastrointestinal, gestação, bariátrica, dietas restritivas.
2. Anemia megaloblástica (deficiência de B12 e/ou folato)
- Vitamina B12:
- Intramuscular: 1 mg 1x/sem por 4–8 semanas, seguido de manutenção mensal.
- Via oral ou sublingual (em má absorção parcial): 1–2 mg/dia.
- Ácido fólico:
- 1–5 mg/dia VO.
- Tratar causa: gastrite atrófica, doença ileal, uso de metotrexato, álcool, medicamentos.
3. Anemia da doença crônica / inflamação
- Controle da doença de base (infecções, doenças autoimunes, neoplasias).
- Ferro venoso quando coexistir deficiência funcional de ferro.
- Agentes estimuladores da eritropoiese
- Eritropoetina, darbepoetina.
- Usado em: IRC, pacientes oncológicos selecionados.
4. Anemia hemolítica
- Autoimune (AHAI):
- Corticoide (prednisona 1 mg/kg/dia).
- Rituximabe, imunossupressores, esplenectomia em refratários.
- Hemoglobinopatias (falciforme):
- Hidroxiureia.
- Transfusões programadas.
- Esferocitose hereditária:
- Esplenectomia em casos moderados a graves.
- Deficiência de G6PD:
- Evitar desencadeantes; suporte durante crises.
5. Anemia aplásica / falha medular
- Terapia imunossupressora:
- Ciclosporina + globulina antitimócito (ATG).
- Eltrombopague para estimular megacarciócitos e progenitores.
- Transplante de medula óssea (padrão-ouro em jovens).
- Suporte transfusional conforme necessidade.
6. Anemias hereditárias (talassemias, hemoglobinopatias)
Talassemias:
- Transfusões regulares.
- Quelantes de ferro (deferasirox, deferiprona, deferoxamina).
- Terapia gênica (em locais disponíveis).
Doença falciforme: já descrita acima (hidroxiureia, transfusão, agentes modificadores).
7. Anemia por insuficiência renal crônica
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Tratamento:
- Ferro IV.
- Eritropoetina/darbepoetina.
- Otimização da função renal.
8. Anemia por perda sanguínea aguda
Tratamento:
- Correção da hemorragia.
- Transfusão quando instabilidade hemodinâmica ou Hb crítica.
- Reposição de ferro subsequente.
9. Anemia por causas endócrinas
Hipotireoidismo, hipogonadismo, insuficiência adrenal.
- Corrigir o distúrbio hormonal → normaliza eritropoese
Conclusão
A anemia é um problema comum, mas não é igual para todo mundo.
Cada causa tem seu próprio mecanismo, sintomas e tratamento.
O hematologista é o profissional mais preparado para descobrir de onde ela vem, qual é o tipo e qual o tratamento mais seguro e eficaz.
Com o diagnóstico certo, o tratamento é direcionado e a qualidade de vida melhora significativamente.