Dra. Lessandra Bazi – Hematologista em Anápolis – GO

O que é anemia? Vamos comparar com algo simples.

Imagine que as células vermelhas do sangue, chamadas de hemácias são como caminhões que precisam levar nutrientes e energia para várias cidades e localidades. São o transporte essencial da vida, sem eles não chega oxigênio nos diversos locais do corpo.

A hemoglobina que fica dentro do caminhão é como se fosse o motor dele, ou seja uma parte importante do funcionamento do caminhão.

Na anemia o que temos então?

  • Ou Temos poucos caminhões circulando (poucos glóbulos vermelhos),
  • ou até temos caminhão mas o motor está fraco (pouca hemoglobina),
  • ou os caminhões são pequenos e não conseguem transportar muito oxigênio.

Ou seja, temos um caminhão que não funciona para o que precisa, ou seja uma hemácia que não transporta oxigênio para o corpo como deveria.

O resultado?
Cansaço, fraqueza, falta de ar, palpitações, queda de cabelo, palidez e pouca disposição.

O que causa a anemia?

Existem vários tipos de anemia, e cada uma tem uma “história” diferente.

A) Anemia por falta de ferro (ferropriva)


É como tentar abastecer o caminhão sem combustível suficiente.
O ferro é o “combustível” que permite ao corpo produzir hemoglobina.

Por que acontece?

  • Sangramento menstrual intenso
  • Sangramento gastrointestinal
  • Falta de ferro na alimentação
  • Gestação
  • Uso insuficiente ou má absorção de ferro

Tratamento:
Repor ferro (oral ou venoso) e tratar a causa do sangramento.


B) Anemia por falta de vitaminas (B12 e ácido fólico)


É como ter caminhões muito grandes, mas com problemas na “montagem”.
O corpo não consegue produzir as células corretamente.

Por que acontece?

  • Gastrite atrófica
  • Doença celíaca
  • Cirurgias bariátricas
  • Dietas muito restritivas
  • Uso de certos medicamentos

Tratamento:
Reposição de vitamina B12 ou ácido fólico e correção da causa.


C) Anemia por doenças crônicas ou inflamatórias


É como se o corpo tivesse caminhões suficientes, mas eles ficam “parados na garagem”, sem circular.
Inflamação prolongada prende o ferro dentro das células e impede o sangue de funcionar bem.

Doenças relacionadas:

  • Artrite reumatoide
  • Doenças renais
  • Infecções persistentes
  • Câncer
  • Doenças autoimunes

Tratamento:
Controlar a doença que causa a inflamação. Nem sempre o ferro ajuda.


D) Anemias hereditárias (como talassemia e anemia falciforme)


Aqui o problema está “na fábrica”.
Os glóbulos vermelhos são produzidos com formato ou estrutura diferentes.

Por que acontece?
São condições genéticas transmitidas dos pais para os filhos.

Tratamento:
Depende do tipo, podendo incluir suplementação, transfusões, medicamentos específicos e acompanhamento especializado contínuo.


E) Anemia por perda aguda de sangue


É como se vários caminhões fossem retirados da rua de uma vez.
O corpo perde grandes quantidades de sangue rapidamente.

Causas:

  • Acidentes
  • Cirurgias
  • Sangramento intenso gastrointestinal ou ginecológico

Tratamento:
Reposição de sangue quando necessário e controle da fonte do sangramento.


F) Anemias por doenças da medula óssea


A medula óssea é a “fábrica do sangue”.
Se ela não funciona bem, a produção de glóbulos vermelhos cai.

Principais causas:

  • Mielodisplasia
  • Aplasia de medula
  • Leucemias
  • Uso de certos medicamentos ou quimioterapias

Tratamento:
Depende da causa, podendo incluir remédios estimuladores, imunossupressores, quimioterapia ou transplante de medula.


Toda anemia precisa de transfusão de sangue?

Não, nem toda anemia exige transfusão de sangue. A decisão de transfundir deve ser individualizada e baseada em diversos fatores clínicos e laboratoriais, como:

  1. Gravidade da anemia:

 Em geral em valores (Hb) < 7 g/dL , mas podem usar critérios maiores se ele tiver doença no coração por exemplo.

  1. Sinais e sintomas clínicos: 

Às vezes devido ao coração acelerado, pressão baixa, falta de ar , tontura com desmaios e outras alterações podem indicar transfusão de sangue.

  1. Causa da anemia: 

Anemias agudas hemorrágicas frequentemente requerem transfusão.

Anemias crônicas, como ferropriva, megaloblástica ou por doenças crônicas, geralmente são tratadas com correção da causa e suporte com ferro, B12, folato ou eritropoetina.

  1. Velocidade de instalação:

Em casos agudos, o organismo tem menos tempo para se adaptar, o que pode requerer intervenção mais precoce.

Em casos crônicos, compensações fisiológicas permitem conviver com níveis mais baixos de Hb sem sintomas graves.

  1. Risco-benefício da transfusão:

Riscos incluem: reações transfusionais, sobrecarga volêmica, aloimunização e infecção.

Conduta alternativa à transfusão:

  • Suplementação de ferro oral ou intravenosa.
  • Administração de vitamina B12 ou ácido fólico.
  • Uso de eritropoetina (EPO), especialmente em anemias da doença renal crônica ou quimioterapia.
  • Tratamento da causa base (sangramento oculto, doenças autoimunes, inflamatórias, neoplasias).

Por que o hematologista é o médico ideal para diagnosticar e tratar a anemia?

Porque a anemia não é uma doença única — é um sinal de que algo está errado.
E cada tipo exige uma abordagem totalmente diferente.

O hematologista é treinado para:

✔ Interpretar corretamente o hemograma

Não apenas ver o valor da hemoglobina, mas analisar:

  • tamanho das células,
  • formato,
  • produção da medula,
  • índices específicos que indicam o tipo de anemia.

✔ Investigar a causa real

Muitas vezes a anemia é só a “ponta do iceberg”.
O hematologista identifica se ela vem de:

  • falta de nutrientes,
  • sangramentos ocultos,
  • doenças crônicas,
  • problemas genéticos,
  • alterações da medula óssea.

✔ Escolher o tratamento correto

Um erro comum é “tomar ferro para toda anemia”, o que pode ser perigoso em vários tipos.
O hematologista sabe quando:

  • ferro faz bem
  • ferro pode piorar
  • vitaminas são necessárias
  • a causa é inflamatória e não adianta suplementar
  • é caso de transfusão, injeções, medicamentos ou investigação mais profunda.

✔ Acompanhar a evolução de forma segura

A anemia pode mudar ao longo do tempo.
O acompanhamento especializado garante resposta ao tratamento e prevenção de complicações.

Sobre o hematologista:

A dra Lessandra Bazi tem competência técnica e experiência para atender todos os tipos de causas de anemia, sendo de sua responsabilidade após identificação da causa iniciar o tratamento adequado.

Muitas vezes é necessário outros especialidade para manejar a causa da anemia.

Por exemplo se o problema for um sangramento menstrual pode ser necessário encaminhar ao ginecologista. Se o sangramento for por uma úlcera no estômago pode ser necessário realizar endoscopia e encaminhar ao gastroenterologia.

Tudo isso é encaminhado pela dra. e orientado ao paciente como proceder.

Em geral precisamos de tempo para avaliar a melhora da anemia, e pode ser necessário acompanhar o paciente por um longo período de tempo, após o tratamento deve ser visto se o paciente não irá retornar o quadro de anemia e se a causa desta anemia foi de fato resolvida.

Em casos hereditários, podem ser necessários avaliar parentes de primeiro grau do paciente e orientação em relação a medidas futuras para cuidar dessa família.

Em caso de doença autoimune pode ser necessário acompanhamento por tempo mais prolongado ainda, por isso a hematologia tem papel essencial nesse contato com o paciente.

Quando procurar um hematologista?

Procure o especialista se você:

  • tem anemia de repetição
  • tem anemia que não melhora com tratamento
  • não sabe a causa da anemia
  • tem sintomas como cansaço extremo, falta de ar, palpitação ou palidez
  • tem histórico familiar de doenças do sangue
  • teve alteração na medula óssea ou exames inconclusivos
  • está grávida e descobriu anemia
  • tem doenças crônicas associadas

Quais os tipos de Tratamentos da Anemia

Depende da causa.

1. Anemia por deficiência de ferro (ferropenia)

  • Reposição de ferro:
    • Via oral
    • Via endovenosa:
      • Indicações: intolerância ao ferro oral, má absorção, doenças inflamatórias, sangramento ativo, anemia moderada a grave.
  • Correção da causa: perdas menstruais, sangramento gastrointestinal, gestação, bariátrica, dietas restritivas.

2. Anemia megaloblástica (deficiência de B12 e/ou folato)

  • Vitamina B12:
    • Intramuscular: 1 mg 1x/sem por 4–8 semanas, seguido de manutenção mensal.
    • Via oral ou sublingual  (em má absorção parcial): 1–2 mg/dia.
  • Ácido fólico:
    • 1–5 mg/dia VO.
  • Tratar causa: gastrite atrófica, doença ileal, uso de metotrexato, álcool, medicamentos.

3. Anemia da doença crônica / inflamação

  • Controle da doença de base (infecções, doenças autoimunes, neoplasias).
  • Ferro venoso  quando coexistir deficiência funcional de ferro.
  • Agentes estimuladores da eritropoiese 
    • Eritropoetina, darbepoetina.
    • Usado em: IRC, pacientes oncológicos selecionados.

4. Anemia hemolítica

  • Autoimune (AHAI):
    • Corticoide (prednisona 1 mg/kg/dia).
    • Rituximabe, imunossupressores, esplenectomia em refratários.
  • Hemoglobinopatias (falciforme):
    • Hidroxiureia.
    • Transfusões programadas.
  • Esferocitose hereditária:
    • Esplenectomia em casos moderados a graves.
  • Deficiência de G6PD:
    • Evitar desencadeantes; suporte durante crises.

5. Anemia aplásica / falha medular

  • Terapia imunossupressora:
    • Ciclosporina + globulina antitimócito (ATG).
  • Eltrombopague para estimular megacarciócitos e progenitores.
  • Transplante de medula óssea (padrão-ouro em jovens).
  • Suporte transfusional conforme necessidade.

6. Anemias hereditárias (talassemias, hemoglobinopatias)

Talassemias:

  • Transfusões regulares.
  • Quelantes de ferro (deferasirox, deferiprona, deferoxamina).
  • Terapia gênica (em locais disponíveis).

Doença falciforme: já descrita acima (hidroxiureia, transfusão, agentes modificadores).

7. Anemia por insuficiência renal crônica

.
Tratamento:

  • Ferro IV.
  • Eritropoetina/darbepoetina.
  • Otimização da função renal.

8. Anemia por perda sanguínea aguda

Tratamento:

  • Correção da hemorragia.
  • Transfusão quando instabilidade hemodinâmica ou Hb crítica.
  • Reposição de ferro subsequente.

9. Anemia por causas endócrinas

Hipotireoidismo, hipogonadismo, insuficiência adrenal.

  • Corrigir o distúrbio hormonal → normaliza eritropoese

Conclusão

A anemia é um problema comum, mas não é igual para todo mundo.
Cada causa tem seu próprio mecanismo, sintomas e tratamento.

O hematologista é o profissional mais preparado para descobrir de onde ela vem, qual é o tipo e qual o tratamento mais seguro e eficaz.
Com o diagnóstico certo, o tratamento é direcionado e a qualidade de vida melhora significativamente.

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