Dra. Lessandra Bazi – Hematologista em Anápolis – GO

Sangrar faz parte do funcionamento normal do corpo — é a forma como ele reage quando há um machucado ou lesão.

Porém, nem todo sangramento é esperado

Quando o organismo perde sangue fora do padrão considerado normal para aquela pessoa, situação ou intensidade, chamamos isso de sangramento anormal.

Sangrar de forma anormal pode ser sangrar em excesso, fora de hora ou de forma repetida, indicando que o sistema de coagulação pode não estar funcionando adequadamente.

Isso pode incluir:

  • Sangrar mais do que o habitual em situações simples, como cortes pequenos.
  • Ter sangramentos espontâneos, sem trauma ou motivo aparente.
  • Sangramentos que demoram muito para parar.
  • Hematomas (roxos) que surgem facilmente e em grande quantidade.

Nosso corpo é equipado com um sistema muito organizado para estancar o sangue quando ocorre uma lesão: as plaquetas, os fatores de coagulação e os vasos sanguíneos trabalham juntos como uma “equipe de emergência”.

Quais são os tipos mais comuns de sangramento anormal?

  • • Sangramento nasal frequente
  • • Hematomas fáceis
  • • Sangramento gengival
  • • Ciclos menstruais intensos
  • • Sangramento prolongado após cirurgias ou procedimentos
  • • Sangramento digestivo ou urinário

O que causa o sangramento?

No sangramento anormal, precisamos sempre definir se esse motivo é algo no local que altera a estrutura daquele órgão ou se é algo do corpo interferindo de forma sistêmica naquele local.

Por exemplo, um sangramento menstrual anormal pode ser por causa de um mioma no útero ou endometriose. Um sangramento úlcera no estômago pode ser por causa de uma úlcera ou gastrite. Da mesma forma, um sangramento pelas fezes pode ser causado por um pólipo ou um câncer na parede do intestino.

Ou seja,  existe algo ali irritando o tecido e gerando o sangramento, mas em alguns casos não há nada e mesmo assim temos sangramento. É algo no sangue que facilita o sangramento e faz com que ele não seja controlado como deveria. Um sangramento que não tem motivo para acontecer ou tem mas deveria ser menor e acaba sendo anormal.

É um desequilíbrio no controle da coagulação e isso pode ocorrer por problemas hematológicos que facilitam ou exageram o sangramento em qualquer lugar do corpo, muitas vezes sem motivo específico. 

Os distúrbios de sangramento são condições em que o corpo tem maior dificuldade de estancar sangramentos, seja por problemas nas plaquetas, nos fatores de coagulação ou nos vasos sanguíneos.
Na prática, isso significa que a pessoa pode sangrar mais facilmente ou por mais tempo do que o normal.

O que é um distúrbio de sangramento em que o hematologista precisa ser consultado?

Imagine o sistema de coagulação como uma equipe de emergência trabalhando para fechar um vazamento.

Essa equipe é composta por:

  • Plaquetas — os “pedreiros” que fazem o tampão inicial.
  • Fatores de coagulação — os “engenheiros químicos” que fortalecem o coágulo.
  • Vasos sanguíneos — a estrutura que precisa se fechar de forma adequada.

Um distúrbio de sangramento acontece quando:

  • os pedreiros (plaquetas) não funcionam bem ou estão em pouca quantidade,
  • os engenheiros (fatores) estão deficientes,
  • a parede do vaso está frágil,
  • ou quando o coágulo não consegue se manter estável.

Existem muitas causas diferentes do sangramento  — e cada uma funciona de um jeito.
Por isso, o hematologista é o profissional indicado para descobrir o tipo de distúrbio e orientar o tratamento correto.

A dra Lessandra Bazi faz a identificação dos distúrbios de sangramento, com avaliação da causa, tratamento das consequências e das causas possíveis. A parte de sangramento anormal é considerada uma condição benigna, que é avaliada com ferramentas durante a consulta, questionários de sangramento para identificar se é de fato anormal e exames de sangue para identificar a causa disso.

Onde pode estar o problema?

Problemas nas plaquetas

As plaquetas são as primeiras a agir quando ocorre um sangramento.

1. Plaquetas baixas (trombocitopenia)

Comparação: é como ter poucos trabalhadores para conter o vazamento.

Causas comuns:

  • Doenças autoimunes (PTI)
  • Infecções virais
  • Gestação
  • Medicamentos
  • Doenças da medula óssea

Sintomas típicos:

  • Manchas roxas pelo corpo
  • Sangramento de gengiva e nariz
  • Sangramento menstrual intenso
  • Pontinhos vermelhos na pele (petéquias)

2. Plaquetas normais, mas que não funcionam bem

Comparação: trabalhadores suficientes, mas que não conseguem fazer o serviço direito.

Causas:

  • Alterações hereditárias
  • Uso de alguns medicamentos (AAS, anti-inflamatórios)
  • Doenças renais
  • Uremia

Sintomas:
Semelhantes aos da plaquetopenia, mas com plaquetas em níveis normais no exame.


Problemas nos fatores de coagulação

Aqui o problema está na “mistura química” que solidifica o coágulo.

1. Hemofilias (A ou B)

Comparação: é como ter o material errado para endurecer o coágulo.

Causa:
Deficiência genética do fator VIII (hemofilia A) ou IX (hemofilia B).

Sintomas:

  • Sangramento em articulações
  • Sangramento prolongado após cortes ou cirurgias
  • Hematomas grandes

2. Doença de Von Willebrand

Comparação: falha na “cola” que ajuda as plaquetas a grudarem entre si.

Causa:
Defeito herdado que afeta uma proteína essencial para a coagulação.

Sintomas:

  • Sangramento nasal frequente
  • Menstruação excessiva
  • Sangramento prolongado após procedimentos dentários

3. Deficiências adquiridas de fatores

Comparação: os “ingredientes” estão ausentes porque o corpo não consegue produzi-los corretamente.

Causas:

  • Doenças do fígado
  • Deficiência de vitamina K
  • Uso de anticoagulantes (varfarina)
  • Coagulopatia induzida por doença grave

Sintomas:
Sangramentos variados, geralmente importantes.


Problemas nos vasos sanguíneos

Aqui o “cano” é mais frágil do que deveria ser.

Causas:

  • Purpuras vasculares
  • Doenças inflamatórias
  • Fragilidade capilar em idosos
  • Uso de corticoides por longos períodos

Sintomas:

  • Pequenos hematomas
  • Vasos que rompem facilmente
  • Sangramentos superficiais

Como o hematologista faz o diagnóstico de doenças do sangramento?

O hematologista é o médico especializado em entender, investigar e tratar doenças do sangue, incluindo os distúrbios de coagulação.

Ele avalia:

  • histórico detalhado dos sangramentos
  • causas hereditárias e adquiridas
  • uso de medicamentos
  • exames específicos como: hemograma, TTPA, TP/INR, fator de von Willebrand, estudo de função plaquetária, entre outros

A grande diferença é que o hematologista consegue:

  • interpretar exames complexos,
  • distinguir causas diferentes que parecem iguais,
  • evitar tratamentos errados (por exemplo: “mais plaquetas” nem sempre resolve).

Por que o hematologista é o médico ideal para tratar distúrbios de sangramento?

✔ Porque cada distúrbio tem um tratamento totalmente diferente

  • Plaquetas baixas → imunossupressores, corticoide ou medicamentos estimuladores
  • Von Willebrand → desmopressina ou reposição da proteína
  • Hemofilias → reposição do fator deficiente
  • Alterações adquiridas → tratar a causa de base (fígado, vitamina K, medicações)

✔ Porque ele identifica riscos em cirurgias e procedimentos

O hematologista orienta como prevenir sangramentos em situações como:

  • extração dentária
  • partos
  • cirurgias
  • uso de anticoagulantes

✔ Porque muitos distúrbios são hereditários

E exigem:

  • aconselhamento familiar
  • avaliação dos filhos
  • plano de tratamento contínuo

✔ Porque ele acompanha a resposta ao tratamento

Com consultas regulares, exames e ajuste da terapia conforme necessário.

Então, quando devo procurar um hematologista?

Procure o especialista se você apresenta:

  • Sangramentos frequentes sem causa aparente
  • Menstruações muito intensas
  • Hematomas grandes ou em excesso
  • Sangramento prolongado após cortes, cirurgias ou procedimentos dentários
  • Sangramento nasal recorrente
  • História familiar de problemas de coagulação
  • Resultado alterado em exames de coagulação (TP, TTPa)
  • Plaquetas baixas ou disfunção plaquetária

E quando o sangramento é um sinal de alerta?

Procure avaliação imediata se houver:

  • Sangramento que não para após 10–15 minutos de compressão.
  • Hematomas extensos, dolorosos ou de surgimento súbito.
  • Sangramento vaginal muito intenso ou coágulos volumosos.
  • Sangramento após cirurgia ou extração dentária maior do que o esperado.
  • Sangramento repetido em nariz, gengiva ou urina.
  • Palidez, fraqueza ou falta de ar — possíveis sinais de anemia por perda de sangue.

Para essas doenças de sangramento, há tratamento?

Sim. O tratamento depende da causa, mas pode incluir:

  • Medicações para melhorar a função plaquetária.
  • Reposição de fatores de coagulação.
  • Correção de deficiências vitamínicas.
  • Tratamento de doenças de base (autoimunes, endócrinas, hepáticas).
  • Ajuste de medicamentos que estejam estimulando sangramento.
  • Terapias específicas em distúrbios hereditários.

O ponto central é que sangramento anormal não deve ser ignorado — na grande maioria das vezes, há solução e melhora significativa da qualidade de vida.

 Conclusão

Os distúrbios de sangramento são variados e podem ter causas muito diferentes entre si.
Alguns são simples e temporários; outros exigem acompanhamento contínuo.

O hematologista é o profissional mais capacitado para descobrir por que você está sangrando mais do que deveria, orientar os exames corretos e definir um tratamento seguro e eficaz.

Com o diagnóstico certo e o cuidado adequado, é possível viver bem, com segurança e qualidade de vida.

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